domingo, 12 de novembro de 2017

Assédio em Hollywood: tudo o que você precisa saber sobre o caso Harvey Weinstein

Site Revista Rolling Stone

Assédio em Hollywood: tudo o que você precisa saber sobre o caso Harvey Weinstein

Produtor foi acusado de assediar sexualmente mais de 25 mulheres, incluindo atrizes como Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow; Meryl Streep, Woody Allen e George Clooney estão entre celebridades que se posicionaram
por JENNA SCHERER
17 de Out. de 2017 às 15:07
A bomba sobre Harvey Weinstein, magnata de Hollywood, explodiu no dia 5 de outubro, quando oThe New York Times publicou uma matéria detalhando como o cofundador da Miramax Films e da The Weinstein Company assediou mulheres sexualmente ao longo das últimas décadas. Desde a revelação, opiniões, posições e relatos relacionados ao caso do produtor vem surgindo.
Para entender a magnitude do acontecimento, é preciso esclarecer o nível de influência de Weinstein na indústria do cinema norte-americano. Em 1979, ele fundou, com o irmão Bob, a Miramax, produtora responsável por alguns dos mais importantes longas dos anos 1990, comoPulp Fiction: Tempo de Violência (1994), Shakespeare Apaixonado (1998) e Gênio Indomável(1997). A próxima empresa dele, a The Weinstein Company, também assinou projetos de sucessos estrondosos. Django Livre (2012), O Discurso do Rei (2010) e Namorados para Sempre (2010) são alguns dos exemplos.
E tanto poder e fama aparentemente foram capazes de mascarar uma história de agressões contra mulheres. O The Cut publicou uma lista compilando 29 denúncias contra ele de assédio e abuso sexual. Entre as relatoras estão desde ex-funcionárias das empresas até atrizes como Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow. De acordo com as declarações, as atitudes do empresário foram sempre banalizadas por executivos, assistentes e produtores.
No último domingo, 14, Bob Weinstein, irmão de Harvey, disse, em uma entrevista ao The Hollywood Reporter, que “não imaginava” que Harvey pudesse se comportar dessa maneira. “Eu achava que ele só saía e traía a mulher dele. Não era como se ele tivesse uma amante, era uma após a outra até onde eu sei. Mas isso é muito diferente do que li no The New York Times. De jeito nenhum eu imaginei que ele era esse tipo de predador. E como ele convencia as pessoas a fazerem coisas? Eu pensei que eram todas relações consensuais.”
Após a reportagem, Weinstein foi demitido da empresa que leva o nome dele, e quatro membros da diretoria — todos homens — também pediram demissão. De acordo com o The Hollywood Reporter, um novo nome para comandar a empresa será anunciado em breve, com rumores de que o rapper Jay-Z poderia ser um dos candidatos. A Variety apontou que Georgina Chapman, esposa dele, pretende se divorciar do marido.
Ainda há muito a ser discutido, já que novas acusações surgem ao longo dos dias. Aqui, fizemos um resumo do caso até agora, com informações essenciais sobre o caso e também com os reflexos da situação em Hollywood.
Quais são as acusações contra Harvey Weinstein?
A primeira acusação contra Weinstein é de 1984, ano em que o produtor chamou a atriz Tomi-Ann Roberts, então com 20 anos, para ir ao seu hotel discutir um possível papel em um filme. Ao The New York Times, ela afirmou que ao chegar o encontrou pelado na banheira, e que Weinstein a encorajou a também tirar a roupa, o que ela recusou.
O padrão se repetiu nas outras alegações que vieram à tona, com o produtor sempre sendo acusado de convidar uma mulher jovem ao seu hotel, a partir de uma suposta pretensão profissional, para depois se utilizar da situação, aparecendo em um robe de banho ou completamente pelado, pedindo massagens e/ou favores sexuais em troca de recompensas profissionais.
Gwyneth Paltrow afirmou que, aos 22 anos, enquanto trabalhava em Emma (1996), foi assediada sexualmente por Weinstein em um encontro na suíte de hotel dele. Brad Pitt, namorado dela na época, confrontou o produtor, mas com medo de ter a carreira prejudicada, a atriz não falou publicamente sobre o acontecimento. “Era esperado que eu mantivesse isso em segredo”, relembrou, ao The New York Times.
A modelo e atriz Cara Delevigne contou a história dela com Weinstein em uma publicação no Instagram (leia abaixo na íntegra, em inglês). Ela declarou que o empresário tentou iniciar uma relação sexual com ela e outra mulher durante o que havia sido apresentado como um encontro profissional. “Assim que ficamos sozinhos, ele começou a se gabar sobre as atrizes com quem tinha dormido e sobre como ele tinha as ajudado em suas carreiras”, escreveu. “Então me convidou ao seu quarto. Quando falei que queria sair, ele ficou de pé em frente à porta e tentou me beijar. Eu consegui pará-lo e fugir de lá.”
Em muitos casos, segundo informações do The New York Times e da New Yorker, os funcionários da Miramax e da The Weinstein Company foram cúmplices, de forma voluntária ou involuntária. Lauren O’Connor, que distribuiu um memorando na empresa do produtor para falar sobre os diversos assédios de Weinstein e sobre o “ambiente tóxico para as mulheres” afirmou que o chefe dela a pedia para “ter reuniões com novas atrizes após elas terem encontros privados com ele em hotéis”.
Como Weinstein respondeu às acusações?
Em 5 de outubro, Weinstein enviou uma resposta à reportagem do The New York Times. “Eu cresci nos anos 1960 e 1970, quando todas as regras sobre comportamento e trabalho eram diferentes. Isso era uma cultura na época”, afirmou. “Mas aprendi que isso não é uma desculpa, nem no escritório nem fora dele. Para ninguém. Percebi há algum tempo que eu precisava ser uma pessoa melhor e minhas interações com meus colegas de trabalho mudaram. Sei que a maneira como me comportei no passado causou muita dor, e eu peço sinceras desculpas.”
Mas essa não é a história completa. Lisa Bloom, ex-integrante do time jurídico do empresário, declarou que Weinstein “nega muitas das acusações”. De acordo com o Deadline, o advogado Charles Harder disse estar preparando um processo contra o The New York Times pela publicação de uma história “cheia de falsas e difamatórias informações sobre Harvey Weinstein”.
Reações em Hollywood
Muitos da indústria do entretenimento condenaram as atitudes de Weinstein. Meryl Streep, que trabalhou em projetos recentes com o produtor (como A Dama de Ferro), expressou surpresa acerca das revelações, mas aplaudiu as mulheres que relataram os casos. “As vergonhosas notícias sobre Harvey Weinstein foram desaprovadas mesmo por quem teve o trabalho apoiado por ele. As corajosas mulheres que levantaram a voz para expor esse abuso são nossas heroínas”, declarou aoThe Huffington Post.
George Clooney, que teve o primeiro papel de sucesso em Um Drink no Inferno (1996), produzido pela Miramax, disse que ouviu rumores sobre o comportamento de Weinstein ao longo dos anos mas que nunca testemunhou nada. “É indefensável”, opinou, ao The Daily Beast.
Hillary Clinton e Barack Obama também condenaram o produtor, que fez várias doações ao Partido Democrata. No Twitter, ela falou que estava “chocada e decepcionada” com as notícias.
Woody Allen, que enfrentou acusações similares de abuso sexual, em entrevista à BBC, opinou que a situação era “toda muito triste”. “É trágico para as pobres mulheres envolvidas, e para Harvey, por ter a vida tão bagunçada. Não há ganhadores nisso.” Apesar do sentimento, o diretor opinou que espera que o acontecimento não leve “a um clima de caça às bruxas”.
“Você também não quer que isso se transforme em uma atmosfera de caça, em que cada cara que pisca para uma mulher no escritório de repente tenha que chamar um advogado para se defender. Isso também não é certo”, disse. “Mas claro que esperamos que isso possa se transformar em um benefício para as pessoas em vez de só uma situação triste ou trágica.”
A declaração de Allen causou polêmica, assim como a da atriz Mayim Bialik, de Big Bang Theory. Após publicar um texto no The New York Times relatando sua experiência como atriz em Hollywood, ela foi criticada por ter “culpabilizado as vítimas”.
No depoimento, ela escreveu sobre algumas medidas de “autoproteção” que ela tomou quando era jovem na indústria. “Eu decidi que minha personalidade sexual cabe melhor em situações privadas com pessoas que são íntimas. Eu me visto modestamente. Eu não flerto com homens a todo momento.” Após as críticas, ela se desculpou.
“Dizer isso nunca foi minha intenção e eu sei que não há uma maneira para se evitar ser vítima de um assédio. Não importa o que você veste ou como você se comporta. Eu estava falando sobre uma experiência específica em uma indústria ainda mais específica. Os únicos responsáveis por esses comportamentos são os homens que cometem esses atos horrorosos.”


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sábado, 11 de novembro de 2017

O que teria Doria a esconder?

Blog do Altamiro Borges

O que teria Doria a esconder?

Por Alexandre Padilha, na revista Fórum:

Nesta semana, mais um assunto abalou a gestão do prefake de São Paulo, João Doria: a falta de transparência. Contra fatos não há argumentos. Desde o início da gestão tucana, vários veículos já denunciavam a falta de transparência da administração, que apenas ignora a lei nº 12.527/2011, que regulamenta o direito constitucional de acesso às informações públicas. Instituída no governo da presidenta Dilma, a Lei de Acesso à Informação estabelece que todas as pessoas têm o direito constitucional de acesso às informações públicas.

O código de ética dos jornalistas brasileiros estabelece “o direito fundamental do cidadão à informação, que abrange seu o direito de informar, de ser informado e de ter acesso à informação” e a Lei de Acesso à Informação determina no artigo 2: “Os órgãos e as entidades do Poder Executivo federal assegurarão, às pessoas naturais e jurídicas, o direito de acesso à informação, que será proporcionado mediante procedimentos objetivos e ágeis, de forma transparente, clara e em linguagem de fácil compreensão, observados os princípios da administração pública e as diretrizes previstas na Lei”.

Horas após a divulgação da reportagem, o prefeito resolveu demitir o chefe de gabinete da Secretaria de Comunicação da Prefeitura que, em áudio gravado, afirmou: “Como buraco é sempre matéria por motivos óbvios – a cidade parece um queijo suíço, de fato -, e a gente está com problema de orçamento, porque precisaria recapear tudo, então tem matéria nisso. Agora, dentro do que é formal e legal, o que eu puder dificultar a vida da jornalista da TV Globo - que fez o pedido -, eu vou botar pra dificultar, sendo muito franco”.

A pasta da Saúde, segundo o mesmo jornal que veiculou a matéria, foi a campeã no número de LAIs não respondidas… e ainda o secretário da Saúde não compareceu às três convocações da Comissão Municipal de Educação (CMAI) para explicar sobre o motivo da falta de transparência.

Lembrando que as informações solicitadas pela imprensa, do programa que a gestão anuncia como o que “acabou” com a fila de espera para exames da cidade de São Paulo, também foram “prorrogadas” e muitas vezes não tiveram respostas satisfatórias.

Além desse assunto, outro foi a greve dos profissionais do programa Mais Médicos, que atuam na cidade e estão há 23 dias com pagamento atrasado. A resposta da gestão foi “por falhas de previsão orçamentária herdadas da gestão anterior”. Veja, estamos no 11º mês do ano, 11 meses que a administração assumiu e eles ainda estão colocando a culpa na gestão do prefeito Fernando Haddad, que deixou em caixa R$ 6 bilhões. São Paulo foi uma das poucas cidades que, em um período de grave recessão, conseguiu fechar as contas para a próxima gestão.

A quem Doria quer enganar?
Ainda nesta semana, ele afirmou que a ideia de distribuição da farinata – ração desumana – na merenda escolar e para pessoas em situação de rua foi revogada, que o governo errou na condução do programa. Vitória da alimentação saudável. Pobre tem hábito alimentar, sim!

Semana conturbara para o prefeito da maior cidade da América Latina. Que se vende como “gestor”, mas não analisa os impactos de suas medidas na vida das pessoas da cidade. Pensa, sim, no “lucro” que elas podem trazer, e não para o cidadão, mas para as empresas envolvidas. Ou quer esconder seus erros e “apostas” em ações impopulares.

* Alexandre Padilha é médico, foi secretário municipal da saúde na gestão de Fernando Haddad e ministro nas gestões Lula e Dilma.

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A reforma trabalhista contra os pobres

Blog do Altamiro Borges

A reforma trabalhista contra os pobres

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Entrou em vigor hoje – e sem nenhum vigor, aliás – a reforma trabalhista para os mais pobres.

Sem nenhum vigor porque adotar as novas regras, com o grau de insegurança jurídica que há em sua aplicação, é uma aventura para irresponsáveis, que podem estar se sujeitando a prejuízos e aborrecimentos imensos.

E para os pobres porque, qualquer um sabe, há décadas a transformação de trabalhadores mais qualificados ou graduados em “pessoas jurídicas” vem transformando a “pejotização”, como é chamada, numa rotina em qualquer situação em que ela seja possível.

Vá à Globo e veja quantos dos seus jornalistas, apresentadores, diretores, atrizes e atores são “PJ”.

O impacto mais forte será nas empresas que têm linhas de produção ou trabalham com serviços e comércio, está evidente.

Passam a ter (duvidosa) cobertura jurídica absurdos como o que se registrava, por exemplo, na rede de lanchonete McDonalds, onde o atendente esperava “no banco” que o movimento justificasse sua atividade e só então passava a receber pelo trabalho.

Ah, mas agora isso tem de ser comunicado com antecedência e acertado com o trabalhador. Lamento informar que, no papel, os contratos da empresa eram assim, mas na prática, a situação era outra.

Como é que se vai fiscalizar isso? Com pouco mais de mil fiscais do Trabalho para o país inteiro?

Pela lei, os que ganham mais de R$ 11 mil (1% dos trabalhadores) podem fazer acordos individuais que se sobreponham à legislação.

E os outros 99%? Bem, recorram à Justiça, a superlotem mais e entrem nas “listas negras”.

Não existem? Há cadastro de tudo. neste país, sejam legais ou ilegais. como estas são.

Muita gente compara, com razão, a mudança nas leis trabalhistas como a “revogação da Lei Áurea”, que formalizou o fim da escravatura.

Para milhões de trabalhadores mais humildes, sim, ela retira o regime de liberdade do trabalho.

Se alguém acha que isso vai trazer empregos e segurança às relações trabalhistas, basta refletir sobre o que ocorreria se, em determinadas condições, fosse restaurada a escravidão.

Chamar de modernidade o retrocesso não o faz ser moderno, o faz ser inviável, a médio prazo.

PSDB: colado, mas rachado


Blog do Altamiro Borges

PSDB: colado, mas rachado

Por Maurício Dias, na revista CartaCapital:

O PMDB e outros partidos aliados da base governista ameaçam chutar o traseiro do PSDB a qualquer momento e expulsar os tucanos ainda empoleirados no governo deMichel Temer, enfraquecido pelo fantasma da corrupção e, principalmente, pela baixa popularidade de 3%, medida por pesquisa.

A dúvida tem marcado ao longo do tempo, como se sabe no mundo político e se percebe na inquietação do eleitor tucano, o estandarte característico do PSDB, que pode ser interpretado assim: na dúvida fique no muro.

Há quase dois meses a bancada tucana de 47 deputados dividiu-se no julgamento de Temer cercado por denúncias da Procuradoria-Geral da República. A partir daí fazem forte pressão para romper com o governo nascido de um golpe contra a presidenta Dilma Rousseff.

Diante desse sai-não-sai, o deputado governista Benito Gama, certamente irritado, argumentou contra uma possível concessão de Temer: “Para salvar 22 votos do PSDB, vai perder 200”.

Por essa e por outras o senador tucano José Serra, tomado pela inesgotável ambição à Presidência da República, fez recentemente um desabafo sobre a melhor forma de entender o comportamento tucano: “Só com psicanálise”. Caso seja mesmo assim, aqui entra em cena o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Embora não tenha mais fôlego político, FHC insiste em tentar influenciar os rumos do PSDB e, com a habitual presunção, arrisca-se às vezes a “governar” o destino do País. Por inspiração, quem sabe, do tucano cearense Tasso Jereissati. Para tanto, já atirou contra outro cearense, Ciro Gomes, que considera um político “irado”. Ele ataca também o PT, ou melhor, Lula, sem misericórdia em relação ao PMDB.

Considera que as chances de vitória do petista “não são grandes” e não avoca a modéstia: “Derrotei Lula duas vezes, quando ele já era um líder partidário de massas”. Atropela o PMDB, “não parece ser um time pronto para disputar a pole position”, e acredita que o PSDB pode “apresentar algum nome competitivo”.

Pelo visto, FHC descarta o governador Geraldo Alckmin, derrotado para presidente em 2006. A bem da verdade, o ex-presidente parece já se expor como presidenciável.

João Doria, o apressado prefeito paulistano, está queimado. Ou melhor, queimou-se. Os tucanos estão desnorteados. Vão continuar inquietos. E o problema começou na cúpula do PSDB, onde estourou a crise mais profunda do partido, em quase 30 anos de competição eleitoral.

Lula é o espantalho. E ganhará, salvo se for bloqueado pela Injustiça.

Caso Waack: A mídia devia pedir demissão

Blog do Altamiro Borges

Caso Waack: A mídia devia pedir demissão

Por Marcelo Zero

O caso do jornalista William Waack desperta paixões. Muitos exigem sua imediata demissão; outros acham que ele tornou-se vítima de uma campanha inquisitorial exagerada. Defendem o “instruído jornalista” e o “combatente” do conservadorismo tupiniquim.

O problema principal nessa polêmica, como soe acontecer no Brasil de hoje, é a “fulanização” de um debate que deveria ser muito mais amplo. Substitui-se a análise de um tema relevante e complexo pelo ódio ou afeto a indivíduos específicos.

O Brasil é um país profundamente racista e marcadamente desigual. Nossas oligarquias e vastos setores das classes médias brancas odeiam ou desprezam negros e pobres em geral. No máximo, são condescendentes e paternalistas com o “andar de baixo”, e consideram que a caridade, não a política, pode resolver nossa atávica desigualdade, além de aliviar as suas consciências. 

Os dados do IBGE e muitos estudos do IPEA e de outras instituições, bem como obras sociológicas já clássicas, mostram uma diferença socioeconômica abissal entre a população branca e a população afrodescendente, que só pode ser explicada pela existência de poderosos mecanismos que impedem a ascensão social e econômica dos negros do Brasil. Assim, o racismo e a desigualdade, associados ao longuíssimo período histórico da escravidão no Brasil, a última nação a abolir o racismo no Ocidente, são as características mais marcantes da nossa sociedade. Nossa pobreza tem cor. Nossa desigualdade separa cores.

Tais características estão impregnadas na nossa cultura e em nossa vida cotidiana. Essa blague asquerosa do jornalista e outras semelhantes já as ouvi inúmeras vezes em restaurantes e reuniões de “gente de bem”. É crueldade ubíqua e tolerada. Nesse sentido, a gravação inadvertida do jornalista apenas escancara um racismo que é tão generalizado quanto ocultado e negado. 

Há poucos anos, participei de uma reunião de consultores da Câmara dos Deputados, gente “muito instruída”, como Waack, e um grupo de militares norte-americanos que veio ao Congresso aprender um pouco sobre nosso processo legislativo e o Brasil de um modo geral. Para meu espanto, um dos consultores, reproduzindo os clichês de Gilberto Freire, afirmou que, devido à nossa intensa miscigenação, no Brasil, ao contrário dos EUA, não havia racismo. Enfim, reproduziu o carcomido mito da nossa suposta “democracia racial”, confundindo raça com racismo. 

Para meu maior espanto, fui o único entre os cerca de 20 presentes a contestar a “tese”. Citei, entre outros, Florestan Fernandes, cuja obra, “A Integração do Negro na Sociedade de Classes”, desmonta por completo esse e outros mitos raciais brasileiros. Não adiantou, fiquei isolado e pasmo.

Menciono essa historinha para constatar que o racismo e as ideologias que o justificam ou negam não são apenas resquícios de um passado escravocrata, mas fatores fundamentais para o funcionamento do nosso capitalismo selvagem e da nossa sociedade de hierarquia rígida e desigualdade grotesca. 

Com efeito, o racismo é sistematicamente reproduzido e reforçado no Brasil “moderno”, mediante uma série de mecanismos econômicos, sociais e culturais. E, como o diabo, seu principal engodo é convencer de que não existe.

Nesse sentido, a nossa mídia oligopolizada, dirigida por um pequeno grupo de famílias brancas e muito ricas, jogou e joga um papel central em sua reprodução. 

Sabe-se que há um conhecido diretor-jornalista da mesma rede em que trabalha Waack que publicou livro, de muito sucesso, no qual se nega a existência de racismo no Brasil. Da mesma maneira, ficou bastante conhecida a campanha que a nossa mídia promoveu contra as políticas afirmativas que os governos do PT implantaram para combater o dissimulado, mas muito efetivo, racismo brasileiro. O sistema de cotas, por exemplo, foi demonizado e chegou-se a afirmar, com todas as letras, que o governo estava “criando” racismo num país não-racista. 

Campanhas semelhantes foram encetadas contra políticas sociais que beneficiam majoritariamente a população afrodescendente, como a do Bolsa Família, por exemplo. De mais a mais, nas teledramaturgias exibidas ubiquamente no Brasil, os afrodescendentes quase sempre apareceram em posição de inferioridade social, cultural e intelectual, o que contribuiu, e ainda contribui, para reforçar estereótipos grosseiros. O mesmo ocorreu e ocorre em programas humorísticos.

Ante isso, deve-se perguntar se a “piadinha” de Waack é apenas um deslize individual ou se ela reflete uma visão de mundo que é hegemônica no meio em que ele trabalha. Estou mais inclinado a acreditar na segunda hipótese.

Também devemos indagar sobre o que causa mais danos aos nossos afrodescendentes, se a blague de mau gosto de Waack ou a disseminação sistemática, de “bom tom” e pretensamente sofisticada da visão de um Brasil racialmente democrático, que depende apenas da “meritocracia” para sanar a histórica desigualdade entre negros e brancos. Também neste caso, estou mais inclinado a acreditar na segunda hipótese.

Waack deve ser demitido? Não estou certo e não me comprazo no punitivismo catártico, porém ineficaz, que atinge somente indivíduos com ódio estéril.

De uma coisa, entretanto, estou convicto. Se não forem hipócritas e levarem a sério esse negócio de combater racismo e desigualdade, toda a velha mídia deveria pedir demissão e sair da nossa vida pública.

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Spok Quinteto traz frevo ao Margarida Schivasappa


Blog Holofote Virtual

Spok Quinteto traz frevo ao Margarida Schivasappa

O grupo vem de Pernambuco e se apresenta com seu mais novo show, neste sábado (11), às 20h, no Teatro Margarida Schivasappa, em Belém. A entrada é gratuita e os ingressos podem ser retirados na bilheteria do teatro.

Acompanhado por quatro músicos, em espetáculo intimista, os músicos estão pela primeira vez na capital paraense. Para este novo espetáculo, Spok escolheu os instrumentistas pela   originalidade e  timbre e para acompanhá‐lo: Adelson  Silva  (bateria), Renato   Bandeira   (viola), Beto   Hortis   (sanfona) e Hélio Silva (baixo).

No repertório, o tradicional ritmo do carnaval de Recife, com frevos que fazem parte do  universo  das  manifestações  pernambucanas, seja de rua, bloco ou canção, além de baiões, caboclinhos (tipo de música folclórica pernambucana), cirandas, com uma  roupagem que enfatiza a liberdade de execução dos músicos. 

"O frevo é uma música única e diferente de todas, animada e com uma magia especial: a de passar felicidade”, descreve o apaixonado Spok, que é saxofonista e arranjador e faz as apresentações com um quê de jazz - o que torna o trabalho original.

O Spok Quinteto é uma parte da SpokFrevo Orquestra, criada em janeiro de 2001, em Recife, comandada pelo virtuoso Spok e formada por 18 jovens músicos pernambucanos com o intuito de dar ao frevo um tratamento diferenciado, com arranjos modernos, harmonias arrojadas e onde os músicos abusam da liberdade de expressão em improvisos que lembram as performances de jazz.

Em agosto de 2003 tocaram com sucesso no festival Les Rendez-vous de L´Erdre em Nantes (França), no V Mercado Cultural de Salvador (BA), quando foram comparados a Luckman Jazz Orchestra de Los Angeles, pelo escritor e saxofonista Luís Fernando Veríssimo.

Já em 2004, participaram do Festival de Jazz de Cascavel (PR), do Festival Um Sopro de Brasil (SESC Pinheiros), em clubes de jazz de São Paulo e Rio de Janeiro, sempre com presença de grande e animado público. O maestro Spok já tem carreira neste ritmo e este ano, pela décima vez consecutiva,   comandou   a   apoteose de encerramento   oficial do carnaval da cidade do Recife com   o   Orquestrão   Multicultural   com   aproximadamente  200  músicos  e  participações de outros  10  renomados  maestros  do  frevo.
“Fazemos improvisos e solos e isso remonta ao estilo jazzístico, o que é bom para quem aprecia música instrumental. Mas gosto de enfatizar que tocamos frevo tal como aprendemos com nossos mestres, com sotaque pernambucano, tal qual os mestres criaram. É como se fala, os sotaques são diferentes, eu não quero perder o meu”, explica.
A apresentação integra o 7º Festival Música na Estrada, realizado pelo Governo Federal por meio do Ministério da Cultura através da Lei Rouanet e da Kommitment Produções Artísticas e apresentado pela Caixa Seguradora com o patrocínio máster do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e patrocínio da Instituição de Ensino Superior Estácio.

O Festival Música na Estrada ainda realiza outras programações em Belém, antes de seguir para Brasília, de 9 e 19 de novembro, e Manaus, onde fica em temporada de 20 de novembro a 6 de dezembro. Santarém, no Pará, celebrará o retorno do Festival de 22 a 26 de novembro. De 13 a 17 de dezembro, já em clima natalino, será a vez de Porto Velho receber o Festival pela sétima vez. Em março de 2018 as cidades de Boa Vista e Macapá receberão o Festival. O projeto tem como objetivo conectar o público com artistas de diversas regiões do país por meio das artes. Todas as cidades receberão também oficinas de música clássica e instrumental, regência e dança.

EM BELÉM
Domingo, 12 de novembro

Concerto com Orquestra de Câmara do Amazonas
Regente: Marcelo de Jesus
Local: Igreja Santo Alexandre
Endereço: Praça Frei Caetano Brandão - Cidade Velha, Belém – PA
Horário: 17h
Programa:
Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) Réquiem KV 626, Arranjo de Peter Lichtenthal
Antonio Vivaldi (1678-1741) As Quatro Estações, Recomposição de Max Richter
Quarta-feira, 20 de dezembro

Concerto “A Ressurreição” com Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz
Solistas: Ana Lúcia Benedetti e Kézia AndradeSinfonia Nr. 2 em Dó menor, de Gustav Mahler (1860-1911)Coro Lírico do Festival de Opera do Theatro da PazPreparador vocal/ensaiador: Vanildo MonteiroRegente: Miguel Campos NetoLocal: Theatro da PazEndereço: Rua da Paz, s/n - Centro, Belém – PA
Horário: 20h

Serviço
7º Festival Música na Estrada. Neste sábado, 11, às 20h, no Teatro Margarida Schivasappa. Av. Gentil Bitencourt, 650 - Nazaré, Belém – PAOs ingressos podem ser retirados com antecedencia, na bilheteria do teatro, com limite de até dois ingressos por pessoa/CPF. Prioridade para idosos. Informações:  (91) 3202-4315
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domingo, 5 de novembro de 2017

O erro

O erro

O erro não era te amar .
O amor é sublime
É a autenticidade máxima da vida.
O erro era te amar demais.
Te adorar
Perder-  me além do infinito
Fingindo além do limite
Sem tino
Sem parança
Afiado pelo instinto do desejo
De necessidade ao aludido amor
Pretensa carência
Amor acima da consistência
Sem sombras
Limite à visão
Eu te amei     às cegas
Nosentido permissivo de perigo
Ânsia expressa do erro
Erro  no amar
Ápice do antagônico  amor
 
ilikechopin

sábado, 28 de outubro de 2017

Capitalismo, Uber e a democracia


BLOG DO ALTAMIRO BORGES

Capitalismo, Uber e a democracia

Por Marcelo Zero, no blog Viomundo:

O debate relativo ao aplicativo Uber, atualmente restrito a um embate entre taxistas e os motoristas precarizados dessa empresa de serviços, coloca algumas questões mais amplas e relevantes sobre o atual estágio e os novos mecanismos da acumulação capitalista no mundo e sua incompatibilidade última com a democracia substantiva.

Com efeito, o tema do Uber e dos problemas legais por ele ocasionados em todo o mundo inserem-se na questão maior da mal chamada “economia do compartilhamento” ou da “sociedade em redes”.

Reforma trabalhista permite contratação de funcionário por R$ 4,26 a hora. E já tem empresa contratando

Blog Amigo do Presidente Lula

Reforma trabalhista permite contratação de funcionário por R$ 4,26 a hora. E já tem empresa contratando



Nova modalidade, criada na reforma trabalhista, prevê que o limite de pagamento é proporcional ao salário mínimo

A reforma trabalhista, que entra em vigor em 11 de novembro, permite a contratação de funcionários pelo regime de jornada intermitente. Nesse modelo, o empregador contrata o funcionário somente pelas horas que precisar, com pagamento proporcional ao período trabalhado.

O cálculo da hora trabalhada pelo regime de jornada intermitente não pode ser inferior ao valor proporcional do salário mínimo, fixado atualmente em 937 reais. Isso significa que a hora de salário do funcionário contratado por esse regime não pode ser inferior a 4,26 reais por hora.

Um anúncio de emprego que circulou nas redes sociais nesta sexta-feira, do grupo Sá Cavalcante, encabeçou um movimento de boicote a algumas redes de fast food. No anúncio, a empresa oferece um salário de 4,45 reais/hora para trabaçhar por cinco horas, aos sábados e domingos. A vaga é para trabalhar em unidades de franquias de fast food do grupo – Bob’s, Spoleto, Balada Mix, Choe’s Oriental Gourmet -, em Vitória, no Espírito Santo.

O trabalhador que aceitar essa vaga vai ganhar 22,25 reais por dia de trabalho. Pelo trabalho no sábado e domingo, a remuneração será de 44,50 reais. Se ele trabalhar quatro fins de semana, o salário será de 178 reais. É bem menos que o salário mínimo de 937 reais, mas é proporcional às horas trabalhadas.

A regra que determina o pagamento por hora estipula que o valor não pode ser inferior ao mínimo ou ao que é pago aos demais funcionários do estabelecimento. Assim, se houver salário mínimo regional ou convenção coletiva determinando um piso superior ao mínimo nacional para uma determinada categoria, valem estas regras.Está na Veja