terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

A autoria de A Jardineira

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A autoria de A Jardineira


UM VÍDEO RARO DE UMA MARCHINHA POLÊMICA: "A JARDINEIRA"
"ORLANDO SILVA" a imortalizou, mas .......... até hoje, a dúvida: QUEM, de fato, a criou ???
Observações de quem inseriu o Vídeo no Youtube ( - criado em 06/06/2009):
A Jardineira" é uma marchina de carnaval composta por Humberto Porto + Benedito Lacerdaem 1938, gravada por Orlando Silva no carnaval de 1939.
Quando "A Jardineira" despontou como uma das favoritas para o carnaval de 39, apareceram na imprensa reportagens contestando a autoria de Benedito Lacerda e Humberto Porto. Na verdade, "A Jardineira" é um antigo tema popular, originário da Bahia, que os dois adaptaram para lançar como marchinha. Segundo o jornalista Jota Efegê (em artigo publicado em O Jornal, em 23.01.66) foi o legendário Hilário Jovino Ferreira quem introduziu "A Jardineira" no carnaval carioca, através do rancho homônimo, em 1899. Jovino aprendera a música com os ternos de reis que desfilavam na Bahia.
Com o fato corrobora uma declaração do baiano Humberto Porto, que afirmara ter recolhido o refrão original na localidade de Mar Grande (BA) em dezembro de 37. Porto incluiria, ainda, nas primeiras edições da partitura, uma breve nota poética que aludia a uma certa "jardineira triste" que desfilava nos "Ternos da Bahia".
Mas, voltando ao carnaval carioca, o tema fez sucesso não apenas no rancho de Jovino, sendo adotado por outros - como "A Flor da Jardineira", "As Filhas da Jardineira" "O Triunfo da Camélia" - que o tornaram muito conhecido ao final da primeira década do século. Essa popularidade estendia-se a vários estados, onde a música recebeu edições, conforme apurou Almirante em investigação que realizou para o seu programa "Curiosidades Musicais". Apareceu até um outro "adaptador" do tema, o velho Candinho, que Jota Efegê identificou como um tradicional folião carioca, ligado a diversos ranchos.
A Jardineira (marcha/carnaval, 1939) - Benedito Lacerda e Humberto Porto
Oh jardineira
Por que estás tão triste
Mas o que foi que te aconteceu?
Foi a camélia
Que caiu do galho
Deu dois suspiros
E depois morreu
Vem jardineira
Vem meu amor
Não fique triste
Que este mundo é todo teu
Tu és muito mais bonita
Que a camélia que morreu ......
______________________________
Curiosidade: Este vídeo foi gravado em 08 de outubro de 1973 - Orlando Silva acompanhado por Miranda e seu Regional

http://jornalggn.com.br/

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Você vai trabalhar 344 horas a mais por ano

 

Blog do Altamiro Borges

Você vai trabalhar 344 horas a mais por ano

Por Altamiro Borges

O covil golpista de Michel Temer decidiu colocar o pé no acelerador para aprovar a contrarreforma trabalhista. Com as vitórias folgadas de Rodrigo Maia e Eunício Oliveira, respectivamente na Câmara Federal e no Senado, a quadrilha avalia que pode impor esta regressão ainda no primeiro semestre. Na semana passada, já foi eleita a comissão especial que avaliará a proposta na Câmara Federal. Ela é composta na sua ampla maioria por representantes patronais. Diante deste iminente risco, os trabalhadores precisam urgentemente se rebelar. Do contrário, eles serão vítimas de um duro golpe descrito em tintas fortes pelo jornal carioca O Dia nesta segunda-feira (6).

Segundo a reportagem, assinada pela jornalista Martha Imenes, “a reforma trabalhista que o governo Temer encaminhou ao Congresso deve ser apreciada pelos parlamentares até o meio do ano, antes do recesso. A informação foi dada pelo ministro do Trabalho Ronaldo Nogueira. Caso o Projeto de Lei 6.787/2016 seja aprovado na íntegra pelos parlamentares, o brasileiro deve se preparar para trabalhar mais horas. De acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o empregado pode trabalhar, no máximo, 2.296 horas por ano. Mas se depender do governo, ele terá a jornada anual aumentada em 344 horas. Ou seja, vai trabalhar ao todo 2.640 horas”.

“Caso estivesse valendo em janeiro de 2017, o projeto do governo Temer abriria brecha para 28 horas de serviço acima da jornada normal do mês. Seria o equivalente a sete horas extras por semana, nas quatro semanas cheias do mês. Em outros meses, com mais feriados e menos dias úteis, o estrago poderia ser ainda maior. A jornada normal máxima em abril de 2017, de acordo com as regras atuais, é de 164 horas. Já para cumprir a jornada máxima prevista por Temer sem ter que trabalhar nos feriados, seriam necessárias 11h36 por dia, de segunda à sexta, durante as quatro semanas daquele mês”.

“A Constituição limita a duração da jornada a oito horas diárias e 44 horas semanais – o que significa, no máximo, 2.296 horas anuais. São permitidas, além disso, até duas horas extras por dia, desde que em caráter eventual. Com a reforma, acordos entre sindicatos e empregadores passam a ter força de lei para negociar jornadas de até 220 horas mensais. O projeto de lei também relativiza o limite máximo de 10 horas de trabalho por dia: as oito horas normais acrescidas de duas horas extras. Acordos coletivos estabelecendo jornadas de até 24 horas ininterruptas, que foram invalidados pela Justiça do Trabalho no passado, tenderiam a ganhar respaldo jurídico”.

A negociação da forca com o enforcado

Além de trabalhar mais, o escravo do salário ainda será vítima de outras maldades. “O PL prevê mudanças na forma de remuneração, o parcelamento das férias e o trabalho em home office (em casa). Esses aspectos poderão ser negociados diretamente entre sindicatos e empresas, de acordo com o projeto. Além disso, a proposta facilita a criação de vagas temporárias e em tempo parcial, que dão menos direitos a funcionários e que podem tomar o lugar dos empregos tradicionais”. Na prática, vai prevalecer o negociado sobre o legislado – ou seja, o fim dos direitos garantidos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Para iludir os mais ingênuos, o covil golpista afirma que esta imposição reforçará o poder de negociação dos sindicatos e “modernizará” as relações de trabalho. Pura balela. Em um cenário de aumento vertiginoso do desemprego, o negociado sobre o legislado só fortalece a gula dos patrões. Com milhares de desesperados na busca de uma vaga – o famoso exército de reserva –, é mais fácil impor o corte de direitos e o arrocho dos salários. É a livre negociação da forca com o enforcado. Com mais esta porrada, o Judas Michel Temer recompensa os patrões que orquestraram e financiaram o “golpe dos corruptos”. E ainda teve trabalhador que acreditou que sua situação iria melhorar com a deposição criminosa de Dilma Rousseff. Baita inocência

Corrupção e pane no Metrô. Cadê o Alckmin?


Blog do Miro


Por Altamiro Borges

Nesta sexta-feira (10), o Ministério Público Federal de São Paulo acusou dois ex-diretores da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), um lobista e seis executivos das empresas que construíram o trecho inicial da linha 5-lilás do Metrô por lavagem de dinheiro de corrupção – no valor de R$ 26,3 milhões. Segundo o órgão, a obra custou R$ 527 milhões, quando foi concluído o primeiro trecho, e a propina distribuída para a quadrilha correspondeu a 5% do valor. As nove pessoas foram acusadas de integrar um cartel usando empresas falsas de consultoria e contas no exterior.

Segundo o procurador Rodrigo de Grandis, autor da denúncia, o cartel era formado por seis multinacionais (Siemens, Alstom, Daimler-Chrysler Rail, ADTranz, Mitsui e CAF) e foi montado entre 1999 e 2000, durante o governo Mário Covas (PSDB). Seis executivos dessas empresas são apontados como os responsáveis pelo pagamento de suborno. Dois ex-diretores da CPTM (José Roberto Zaniboni e Ademir Venâncio) são acusados de montar uma empresa para receber a propina. Somente Roberto Zaniboni teria movimentado US$ 464 mil em conta secreta na Suíça.

O lobista Arthur Teixeira foi acusado de ter sido o intermediário do suborno. Olivier Hossepian Salles de Lima, que ocupou a presidência da CPTM entre 1999 e 2003, também foi beneficiado com recursos de propina, mas, segundo Rodrigo de Grandis, os crimes estão prescritos porque o executivo tem mais de 70 anos. Não custa lembrar que o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) já foi investigado pela suposta participação neste esquema, mas o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, decidiu excluí-lo da apuração em junho de 2014, apesar dos indícios de que a grana abasteceu o caixa-2 dos tucanos de São Paulo.

Falta de manutenção e caos

Na mesma semana em que o MPF apresentou a acusação contra a quadrilha, o Metrô voltou a causar fortes transtornos para os paulistanos. Na última terça-feira (7), um vagão descarrilhou e interrompeu a circulação de trens entre as estações Artur Alvim e Corinthians-Itaquera, na linha 3-vermelha, a mais lotada da rede. Ao sair do trilho, ele atingiu e destruiu as grades de uma passarela de proteção. Uma mulher ficou ferida levemente no pulso e os passageiros tiveram que esperar mais de uma hora para conseguir embarcar em ônibus. O pânico foi grande.

O incidente não foi uma casualidade. Atrasos, panes e superlotação são cenas comuns no Metrô de São Paulo. Eles decorrem da falta de investimentos no setor. Segundo matéria de Rodrigo Russo, publicada na Folha na sexta-feira (10), “enfrentando grave crise orçamentária, a companhia pública ligada ao governo Geraldo Alckmin (PSDB) registrou uma queda significativa de investimentos em operação e modernização. Levantamento baseado em informações orçamentárias da própria empresa mostra redução de quase 60% em gastos com a manutenção de linhas, trens e estações nos últimos dois anos”.

Em 2014, o Metrô desembolsou R$ 409 milhões na modernização das quatro linhas que opera diretamente (1-azul, 2-verde, 3-vermelha e 5-lilás), valor que caiu para R$ 206 milhões no ano seguinte e se limitou a R$ 168 milhões em 2016. “Os efeitos práticos dos cortes são os riscos maiores de problemas no transporte de 4 milhões de passageiros... Também foi significativa a queda de gastos do Metrô no quesito operação, que inclui recursos para manutenção e administração de todas as linhas. De R$ 110 milhões em 2014, o valor baixou para R$ 56 milhões no ano seguinte e R$ 47 milhões em 2016”.

Em síntese: máfias assaltam o Metrô desde 1999, em pleno governo de Mário Covas. Propinas, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e montagem de Caixa-2. Por outro lado, o tucanato não investe na ampliação e na manutenção dos trens. Os paulistas sofrem diariamente com superlotação e panes. Mesmo assim, a mídia chapa-branca – alimentada com muita grana da publicidade oficial – evita dar destaque para o descalabro. O nome de Geraldo Alckmin, atual governador e presidenciável do PSDB para 2018, quase não aparece no noticiário. No Jornal Nacional da TV Globo ele é um verdadeiro “picolé de chuchu”. E a vida segue... bem devagar e cheia de acidentes!
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Na Veja, a razão do 'apelo' de Moro a Temer

Blog do Miro

Na Veja, a razão do 'apelo' de Moro a Temer

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

A capa da Veja deste final de semana parece revelar o que pretendia o juiz Sérgio Moro, ontem, ao apresentar-se espontaneamente para defender Michel Temer do que chamou de “ameaças e extorsões” de Eduardo Cunha contra o ocupante da presidência.

A revista, porta-voz oficioso da Lava Jato, registra que Temer dá vários passos para “estancar” a Operação no Supremo e, com isso, salvar a pele da turma que está hoje no poder, inclusive a dele próprio.

O despacho de Moro, dizendo que não admitirá, em Curitiba, sequer “insinuações” contra o presidente pode ser lido como um “o senhor cuida do Supremo e que garanto Curitiba”.

Moro só quer Lula e descarta, com seu perdão, quaisquer outros para conseguir chegar a ele.

Tudo o mais foram meios.

Aniquilar e desmoralizar o Supremo não o desagrada, porque evitar que, na parte do butim da corrupção que o anima, ainda evitará que os abusos que pratica possam ser revertidos por qualquer resto de legalismo que sobreviva na corte suprema.

Os procuradores da “Força Tarefa” talvez não se incomodem muito que Rodrigo Janot tenha o mesmo destino e seja “executado” a médio prazo, com a não recondução ao cargo.

Uma investigação marcada pela política desde o início não poderia ter senão, também, um final político.
 
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domingo, 5 de fevereiro de 2017

Marisa Letícia:uma história de luta e dedicação `a família.

Blog do Miro

BNDES e o crime de lesa-pátria de Temer

Blog Miro Borges

BNDES e o crime de lesa-pátria de Temer

Editorial do site Vermelho:

O forte fomento ao desenvolvimento que foi a marca do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) durante os governos Lula e Dilma está sendo destruído rapidamente pelo governo ilegítimo de Michel Temer.

Nos dez anos posteriores a 2003, quando teve início o ciclo progressista de governos populares e democráticos, o BNDES recuperou a vocação de banco destinado ao fomento do desenvolvimento nacional e apoio ao fortalecimento das empresas brasileiras, capacitando-as para enfrentar a concorrência estrangeira no mercado mundial.

Vocação que, a pretexto da alegada crise fiscal do Estado, havia sido abandonada no período neoliberal comandado sobretudo por Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

O BNDES foi uma das principais ferramentas da política econômica deste período em que Brasil voltou a crescer de maneira acelerada e consistente.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) considerou que nosso país havia se tornado, em 2011, a sexta maior economia mundial, nos calcanhares de países como Itália, França e Grã-Bretanha. Hoje, sob Temer e Meireles, caiu para a nona posição no ranking mundial.

O esteio daquele crescimento enorme foi o BNDES, banco oficial que se tornou, nestes anos, talvez o maior banco de fomento ao desenvolvimento no planeta, ultrapassando de longe o próprio Banco Mundial: em 2011 o BNDES empregou para apoiar o desenvolvimento US$ 96,32 bilhões, valor mais de três vezes superior aos US$ 28,85 bilhões emprestados pelo Banco Mundial. Mais: entre 2005 e 2010 seus empréstimos para esse fim aumentaram, em dólares, 391% (quase quatro vezes), enquanto aqueles feitos pelo Banco Mundial cresceram mais lentamente, chegando a 196% (ou quase duas vezes).

Esta potência econômica deixou de existir desde que o golpe midiático-parlamentar-judicial fez ascender a dupla Michel Temer/Henrique Meireles ao comando do Estado e da economia brasileira.

A derrocada é visível nos dados que o próprio BNDES divulgou no final de janeiro. E que mostram uma queda de 35% no volume de créditos concedidos em 2016. Eles caíram de R$ 136 bilhões em 2015 para R$ 88,3 bilhões em 2016, o menor valor desde 2007, quando foi de R$ 64,9 bilhões.

O economista Guilherme Delgado não tem meias palavras para classificar este verdadeiro crime de lesa-pátria cometido pela dupla postiça Temer/Meireles: austericídio é o nome que dá a esta receita inepta e medíocre de administração da economia.

O resultado dramático é visível na estagnação e involução da indústria nacional e nos gigantescos números do desemprego, que atinge hoje mais de 12 milhões de trabalhadores

A destruição da economia brasileira promovida pelos golpistas revela aqui sua face subordinada às imposições da especulação financeira, brasileira e estrangeira, que hoje comanda o país. Faz 20 anos que Fernando Henrique Cardoso quis destruir a “Era Vargas”. Michel Temer e Henrique Meireles destroem hoje um dos principais legados daquela era para apoiar o desenvolvimento: o BNDES, fundado no segundo governo de Getulio Vargas, em 1952.

O “austericídio”, este crime de lesa-pátria que cometem, volta-se contra o desenvolvimento nacional com valorização do trabalho e distribuição de renda, que nunca foi aceito pelo financismo rentista e predatório que rejeita e se opõe ao progresso social e vive, como um parasita, da exploração do atraso imposto ao Brasil e aos brasileiros. 
 
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Lula volta às origens e promete luta

Blog do Miro


Por Ricardo Kotscho, no blog Balaio do Kotscho:

Já quase no final de sua fala de 20 minutos diante do caixão de Marisa, Lula não conseguiu mais segurar o choro ao prometer para a mulher com quem viveu 43 anos, da luta sindical dos metalúrgicos do ABC à Presidência da República:

"Querida companheira Marisa, descanse em paz, porque o seu `Lulinha Paz e Amor´vai continuar brigando muito por você".

Depois de passar horas em pé recebendo os pêsames de uma a uma das milhares de pessoas que foram ao salão do terceiro andar do Sindicato dos Metalúrgicos, o berço político dele e do PT, com as filas dando volta no quarteirão, Lula voltou a falar com a emoção dos tempos em que surgiu na cena política brasileira, desafiando a ditadura militar, nas greves dos anos 1970.

"Marisa morreu triste pela canalhice que fizeram com ela e a imbecilidade e a maldade que fizeram com ela... Tenho 71 anos. Acho que ainda vou viver muito porque quero provar que os facínoras que levantaram leviandades contra a Marisa tenham um dia a humildade de pedir desculpas a essa mulher".

Lula aguentou firme os dez dias que passou no hospital ao lado da mulher, onde ela ficou entre a vida e a morte depois de sofrer um AVC, mas ao reencontrar velhos companheiros e militantes na manhã deste sábado por diversas vezes ele se emocionou a ponto de não conseguir falar nada, apenas dar um forte abraço.

Relembrando passagens da vida em comum com Marisa, desde que eles se conheceram ali naquele sindicato, das viagens que fizeram juntos pelo Brasil e por boa parte do mundo, Lula buscava no passado forças para encarar o futuro sem ela.

"Marisa ficava na praça da Matriz com outras companheiras vendendo bandeiras e camisetas para a gente construir o partido que a direita agora quer destruir", lembrou ao falar do começo do PT, misturando boas recordações com um desafio aos que o acusam na Operação Lava Jato, onde responde a cinco processos.

"Se alguém tem medo de ser preso, quero dizer que esse homem, que está aqui enterrando sua mulher, não tem. Tenho consciência tranquila. Não sou eu que tenho que provar que sou inocente. Eles que precisam provar que as mentiras que eles estão contando são verdade".

Se depender do ânimo da multidão de políticos, lideres sindicais e de movimentos sociais, militantes anônimos e antigos colegas de diretoria do sindicato que foram ao velório de Marisa, ele não vai seguir o conselho de d. Angélico Bernardino, que o abraçou ao final do desabafo, pegou o microfone e o aconselhou a descansar um pouco. Duvido.

Pelo que conheço dele, segunda-feira o velho Lula estará de volta, mais uma vez viajando pelo país, ainda mais desafiado a lutar pelo seu legado político e pela memória da mulher.

Vida que segue


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Marisa Letícia e a crise da medicina

Blog do Miro

Marisa Letícia e a crise da medicina

Do jornal Brasil de Fato:

A Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares lançou nota neste sábado (4), na qual se posiciona sobre o vazamento de exames de Marisa Letícia Lula da Silva. Para a organização, apesar de chocar, este fato não é novidade diante de situações vivenciadas na trajetória da formação médica no Brasil. "Vamos sendo submetidos aos poucos, em doses homeopáticas, a abusos e absurdos", diz o texto. Trotes violentos, tratamento diferenciado para pacientes que tenham cometido crime, além de casos de assédio moral e sexual são experiências características da formação em medicina.

"Diante desta crise, a Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares reforça a necessidade de que a sociedade se envolva na discussão dos médicos e médicas que nossos cursos estão formando. Nós, médicos e médicas, somos formados para servir à sociedade brasileira e é com ela que devemos discutir qual profissional devemos formar, com conteúdos éticos e humanistas indissociáveis da boa prática clínica."

Confira nota na íntegra:

*****

“Tem que romper no procedimento. Daí já abre pupila. E o capeta abraça ela”

A frase acima foi veiculada em matéria do jornal O Globo, dita por um médico em um grupo de WhatsApp ao receber as tomografias vazadas de Marisa Letícia Lula da Silva. O fato de que estes exames tenham vazado já causa revolta. Ler o comentário do “colega” deixaria qualquer um estupefato. Entretanto, para muitos médicos e estudantes de medicina no Brasil tais fatos não se constituem novidade, e eles já existiam bem antes da polarização política que o país vive hoje.

Na trajetória da formação de um médico no Brasil, vamos sendo submetidos aos poucos, em doses homeopáticas, a abusos e absurdos. Seja em um ambulatório de Ginecologia na Faculdade onde dez estudantes fazem o toque vaginal na mesma paciente – é para que eles aprendam, diz o professor à paciente. Seja em um plantão de pronto-socorro onde se aprende a tratar os pacientes de um jeito e os “bandidos” de outro: sem analgésicos, tratados sem o mínimo de empatia e manejados com força desproporcional, como se aqueles que estão ali para cuidar da vida humana quisessem sentir o gosto de “revidar” o mal que supostamente fez o cidadão.

Aprendemos a aceitar que receber trotes violentos “faz parte”, pelo simples fato de que nos próximos 5 anos poderemos “descontar” nos próximos calouros. Aprendemos que fazer plantões ilegais em pequenas cidades no interior, nos passando por médicos, não tem problema, afinal, se não fossem estes cidadãos altruístas, quem atenderia os pobres coitados? Aprendemos a ficar calados com os abusos que passamos na Residência médica, desde cargas horárias excessivas até assédio moral dos preceptores. Aprendemos a ouvir calados os impropérios de chefes dos serviços em nome de manter um bom ambiente de trabalho. Tudo isso para “engrossar a casca”, dizem. Com todo esse aprendizado, nos parece que a resiliência é a maior habilidade desenvolvida pela nossa categoria, afinal, se formam muitos médicos e médicas éticos, humanos e comprometidos com a vida.

O episódio do vazamento dos exames da ex-primeira-dama traz à tona essas questões. As tomografias de Marisa Letícia percorreram vários grupos de WhatsApp, de São Paulo para todo o país, e foram recebidas da forma mais natural possível, como se fosse algo corriqueiro receber no celular exames de um paciente que não está sob seus cuidados. Discutir casos com a equipe do próprio hospital nesses grupos, no qual todos são obrigados ao sigilo médico e com o intuito de elucidar diagnósticos, é uma coisa. Mas, neste caso, a quebra do sigilo médico foi notória. O pior é que alguns dos que vazaram o exame não o fizeram com o intuito de discutir um caso clínico, mas sim para tripudiar em cima do sofrimento humano. Não há polarização política que justifique atos como este.

Nestes momentos, nossa categoria fica exposta, na berlinda, com nossos pacientes se perguntando: “Será que isto acontece comigo?”. De forma absolutamente estarrecedora, nos deparamos com comentários de indivíduos que nunca deveriam ter se formado médicos, que não possuem o mínimo de humanidade e ética. Infelizmente é preciso lembrar que há mais destes prestes a se formar, e que é preciso fazer alguma coisa, em nome daqueles que exercem a medicina de forma digna e principalmente em nome de nossos pacientes.

Diante desta crise, a Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares reforça a necessidade de que a sociedade se envolva na discussão dos médicos e médicas que nossos cursos estão formando. Nós, médicos e médicas, somos formados para servir à sociedade brasileira e é com ela que devemos discutir qual profissional devemos formar, com conteúdos éticos e humanistas indissociáveis da boa prática clínica.
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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Os órfãos da globalização neoliberal

Blog do Miro Borges

Os órfãos da globalização neoliberal

Por Emir Sader, no site Vermelho:

Era o caminho inevitável, incontornável, que superaria tudo o que a história havia vivido até então. O livre comércio, a abertura dos mercados nacionais, o fim dos Estados nacionais, a livre circulação dos capitais, a desterritorialização dos investimentos: na globalização neoliberal desembocava inexoravelmente o movimento histórico de universalização das relações capitalistas, iniciado há alguns séculos.

Vivíamos esse momento privilegiado de mercantilização do mundo, frente ao qual desapareciam as alternativas, todas restritas, nacionais, anti-mercantis, desapareceriam as regulamentações que obstaculizavam a livre expansão do capital. Países da América Latina que haviam atuado na contramão dessa tendência global irreversível, até que na Argentina e no Brasil se reencontrava o caminho da volta da globalização neoliberal e o futuro voltava a se abrir para esses países.

A eleição de Hillary Clinton viria coroar esse futuro reaberto com um neoliberalismo renovado, tendo Mauricio Macri e Michel Temer como os principais protagonistas no continente. Tudo estava pronto para que a história da América Latina retomasse o caminho equivocadamente abandonado pela via do populismo. Neste momento, Hillary Clinton estaria desfilando pelas passarelas políticas da região usando seu look retirado do armário e recebida em festa pelos governos da Argentina e do Brasil. O Chile havia declarado que o TPP era o acordo do século. O México tinha jogado todo o seu destino no Tratado de Livre Comércio da América do Norte.

De repente, o voto de saída da Grã- Bretanha da União Europeia anunciava que algo estava fora da ordem mundial. Logo, Donald Trump triunfou e imediatamente anulou a participação dos EUA no TPP, assim como desistiu do Tratado de Livre Comércio com a Europa e questiona o Tratado com o México e o Canadá.

A bússola dos neoliberais quebrou. O futuro já não é o que seria. Justo os que nos haviam vendido esse futuro, o negam e voltam ao protecionismo, que diziam que estava superado definitivamente. Saem dos acordos de livre comércio que haviam anunciado que era o destino irreversível. Retomam a defesa dos empregos dentro dos seus países, quando exploravam mão de obra de fora como o caminho para melhorar a concorrência.

Enfim, o futuro já não é o que foi. Voltou a estar aberto. O que se dizia que estava superado, volta com força. O que se prometia como o destino inexorável, deixou de ser.

Os que atrelaram seu destino à globalização neoliberal ficaram órfãos. Serra prometia levar o Brasil para o TPP, que agora não existe mais. A Argentina e o Brasil trataram de enfraquecer os espaços de integração regional, em função do retorno da subordinação aos EUA. Agora, da mesma forma que ao México, lhes fecham as portas (à Argentina já lhe custou o cancelamento amargo da exportação de limões. Ao México lhe custa tudo: investimentos, empregos, remessas dos EUA).

Não há destino obrigatório para a humanidade. O futuro está aberto, será decidido pelas vias que os povos decidam democraticamente. Por que não a Argentina, o Brasil e o México, com governos soberanos, decidam, muito logo, redirecionar suas políticas externas e ampliar e reforçar os processos de integração latino-americana, estreitamente articulados aos Brics? Por que não?

* Fonte: Brasil 247.
 
 
 

Os órfãos da globalização neoliberal

Por Emir Sader, no site Vermelho:

Era o caminho inevitável, incontornável, que superaria tudo o que a história havia vivido até então. O livre comércio, a abertura dos mercados nacionais, o fim dos Estados nacionais, a livre circulação dos capitais, a desterritorialização dos investimentos: na globalização neoliberal desembocava inexoravelmente o movimento histórico de universalização das relações capitalistas, iniciado há alguns séculos.

Vivíamos esse momento privilegiado de mercantilização do mundo, frente ao qual desapareciam as alternativas, todas restritas, nacionais, anti-mercantis, desapareceriam as regulamentações que obstaculizavam a livre expansão do capital. Países da América Latina que haviam atuado na contramão dessa tendência global irreversível, até que na Argentina e no Brasil se reencontrava o caminho da volta da globalização neoliberal e o futuro voltava a se abrir para esses países.

A eleição de Hillary Clinton viria coroar esse futuro reaberto com um neoliberalismo renovado, tendo Mauricio Macri e Michel Temer como os principais protagonistas no continente. Tudo estava pronto para que a história da América Latina retomasse o caminho equivocadamente abandonado pela via do populismo. Neste momento, Hillary Clinton estaria desfilando pelas passarelas políticas da região usando seu look retirado do armário e recebida em festa pelos governos da Argentina e do Brasil. O Chile havia declarado que o TPP era o acordo do século. O México tinha jogado todo o seu destino no Tratado de Livre Comércio da América do Norte.

De repente, o voto de saída da Grã- Bretanha da União Europeia anunciava que algo estava fora da ordem mundial. Logo, Donald Trump triunfou e imediatamente anulou a participação dos EUA no TPP, assim como desistiu do Tratado de Livre Comércio com a Europa e questiona o Tratado com o México e o Canadá.

A bússola dos neoliberais quebrou. O futuro já não é o que seria. Justo os que nos haviam vendido esse futuro, o negam e voltam ao protecionismo, que diziam que estava superado definitivamente. Saem dos acordos de livre comércio que haviam anunciado que era o destino irreversível. Retomam a defesa dos empregos dentro dos seus países, quando exploravam mão de obra de fora como o caminho para melhorar a concorrência.

Enfim, o futuro já não é o que foi. Voltou a estar aberto. O que se dizia que estava superado, volta com força. O que se prometia como o destino inexorável, deixou de ser.

Os que atrelaram seu destino à globalização neoliberal ficaram órfãos. Serra prometia levar o Brasil para o TPP, que agora não existe mais. A Argentina e o Brasil trataram de enfraquecer os espaços de integração regional, em função do retorno da subordinação aos EUA. Agora, da mesma forma que ao México, lhes fecham as portas (à Argentina já lhe custou o cancelamento amargo da exportação de limões. Ao México lhe custa tudo: investimentos, empregos, remessas dos EUA).

Não há destino obrigatório para a humanidade. O futuro está aberto, será decidido pelas vias que os povos decidam democraticamente. Por que não a Argentina, o Brasil e o México, com governos soberanos, decidam, muito logo, redirecionar suas políticas externas e ampliar e reforçar os processos de integração latino-americana, estreitamente articulados aos Brics? Por que não?

* Fonte: Brasil 247.

EUA assumem o controle da Embraer

Blog do Miro Borges

EUA assumem o controle da Embraer

Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho:

Confira a notícia abaixo. Ela é boa para os coxinhas que defendem a privatização da Petrobrás achando que, assim, não haverá corrupção.

A Embraer foi privatizada há muitos anos e está sendo acusada, nos EUA, de corrupção. Coisa bem pesada.

Mas até aí tudo bem. A empresa foi acusada de corrupção e tenta hoje se corrigir.

O bizarro é a solução encontrada.

A empresa, outrora uma orgulhosa estatal brasileira, a partir de agora será vigiada, por dentro, por um executivo de um escritório de advocacia norte-americano.

O Estadão fala ainda que Petrobras e Braskem “se espelham” no modelo da Embraer.

Os EUA, que fazem as guerras mais corruptas do mundo, nas quais matam milhões de pessoas, destroem toda a infra-estrutura dos países, apenas para que suas empreiteiras e outras empresas possam arrancar, do contribuinte americano, algumas centenas de bilhões de dólares para a reconstrução, ensinarão às empresas brasileiras como se manter longe da corrupção…

EUA, o país mais corrupto do mundo, é o novo guardião anticorrupção das empresas brasileiras.

Naturalmente, esse monitoramento implica interferência nos negócios e prejuízo à soberania da empresa e do país.

É importante observar que a Embraer representa a ponta mais avançada da indústria brasileira. Através de fartos financiamentos do BNDES e outras linhas públicas, a Embraer conseguiu se firmar como uma das maiores exportadoras mundiais de aviões de pequeno e médio porte.

Apesar de privada, a Embraer é um patrimônio nacional, assim como é a Petrobrás, assim como era Odebrecht. E agora será “vigiada” de dentro por americanos.

Esse golpe, que contou com ajuda da Lava Jato, sacrificando nossas empresas no altar do departamento de justiça do governo americano, está cada vez mais parecendo uma operação de domínio colonial.

Com essa intervenção, pode-se afirmar que os EUA assumiram o controle da nossa maior empresa de aviação, sem investir um centavo do próprio bolso.

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No Estadão

Embraer será vigiada por americano

Alexandre Rene, do escritório Ropes&Gray, passará três anos monitorando a empresa

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) definiu na terça-feira, 24, que o advogado Alex Rene, do escritório americano Ropes&Gray, será o monitor externo da Embraer. Rene vai vigiar a fabricante de aviões pelos próximos três anos, fiscalizando as regras de compliance que serão implantadas na companhia. Sua função também é reportar qualquer novo indício de corrupção que encontre.

A empresa brasileira fechou em meados do ano passado um acordo com as autoridades americana e brasileira para evitar ser processada por casos de pagamentos de propina para obter contratos de venda de aviões em países da América Central e Ásia, entre 2007 e 2011. O caso foi descoberto há seis anos e somente no ano passado teve um desfecho. A multa estipulada foi de US$ 206 milhões, cerca de R$ 680 milhões.

A exigência de um vigilante foi feita pela Justiça americana, que quer ter certeza de que a companhia vai mudar suas práticas e ter regras fortes para evitar novos casos de corrupção. O monitor é pago pela própria companhia e terá acesso total a qualquer documento, qualquer equipamento ou a qualquer pessoa da companhia ou prestador de serviços, sem precisar de aviso prévio.

Funcionários de empresas que já tiveram um monitor externo relatam que a vigilância é acirrada, até com um certo clima de terror, e deixa toda a companhia apreensiva. A Embraer é a primeira companhia brasileira a ter esse tipo de vigilância por determinação da Justiça americana, mas não será a única. A Odebrecht e a Braskem que recentemente fecharam acordo com o Departamento de Justiça também terão que contratar monitores.

Todas elas terão que ser vigiadas por três anos, que é uma espécie de “pena máxima” imposta pelo Departamento americano. Algumas empresas precisam de apenas 18 meses e outras sequer têm monitor, porque conseguem provar que já se adaptaram à lei anticorrupção, segundo contam advogados. Depois de três anos, ainda é possível que o prazo seja prorrogado por mais um tempo.

Pelo procedimento usual adotado pelo DoJ, são as próprias empresas que apresentem uma lista com três nomes, que passam então pelo crivo das autoridades americanas. O monitor escolhido para o caso Embraer trabalha em um escritório privado mas já foi procurador na divisão criminal no DoJ, apurando casos de lavagem de dinheiro e violações das regras anticorrupção.

Procurada, a Embraer não quis comentar o assunto.
 
 
 http://altamiroborges.blogspot.com.br/

"O feminismo liberta homens e mulheres"

Blog do Miro Borges

"O feminismo liberta homens e mulheres"

Por Fania Rodrigues, no jornal Brasil de Fato:
Segundo o dicionário mais famoso do mundo, o Oxford, da Inglaterra, a palavra de 2016 foi “pós-verdade”. O adjetivo faz referência a "circunstâncias em que os fatos objetivos têm menos influência na formação de opinião pública do que os apelos emocionais e as opiniões pessoais", segundo o Oxford, que incorporou a palavra no dicionário depois dela ter sido exaustivamente usada nos jornais e redes sociais.

Em tempos de “pós-verdade”, conceitos já consolidados, assim como identidades e as conquistas, parecem suspensos no ar. Estão sendo atropelados pela cultura conservadora. Nesse contexto, pensar e discutir o feminismo é um desafio. Não por acaso, os direitos das mulheres foram os primeiros a serem atacados, mas também partiram das mulheres as lutas mais espontâneas e emblemáticas dos últimos dois anos. Foi assim com a “primavera das mulheres”, no Brasil, o movimento “Ni Una a Menos”, na Argentina, e mais recentemente a “Marcha das Mulheres”, nos Estados Unidos, contra o novo presidente Donald Trump.

Para falar sobre feminismo o Brasil de Fato entrevistou a atriz Letícia Sabatella. Ela foi uma das convidadas do evento Mulheres em Movimento, que está sendo realizado essa semana, no Rio de Janeiro, pela organização ELAS Fundo de Investimento Social. A atriz falou sobre os desafios que mulheres e homens devem enfrentar nesse momento de turbulências políticas e sociais no país.

Qual é o papel do feminismo na conjuntura em que a gente vive no Brasil?

É a busca de equilíbrio para o que vem acontecendo. Nós somos as mais atingidas pelo modo neoliberal de pensar a sociedade, com alguns lucrando com a miséria e nenhum cuidado com o bem-estar social. A melhor coisa que alguém pode desejar na vida é abrir a porta de casa, sair tranquila, em paz, e saber que existe educação, saúde de qualidade, que vai poder crescer na vida. Estamos vivendo um tempo em que os valores individualistas parecem mais importantes que o coletivo. Não querem mais pensar coletivamente, isso virou uma coisa imoral. É nosso papel lutar contra isso e a favor de práticas amorosas.

Toda mulher já sofreu algum tipo de machismo em algum momento da vida, senão durante a vida inteira. O mais te incomoda nessa questão do machismo?

Incomoda o tempo inteiro porque as pessoas introjetam o machismo. O machismo vai por dentro, vai minando nossas forças e daqui a pouco qualquer mulher pode introjetar o machismo, são limites que são impostos e incutidos na cabeça dela. Isso vem da cultura machista. A mulher precisa de mais possibilidades, mais liberdade. A sociedade tem que dar mais poder à mulher, mais possibilidades de realização de sonhos diversos e nos liberar de todas essas ideias que nos oprimem e permitir à mulher ter conhecimentos diversificados.

Aquela vez em que você sofreu uma agressão na rua, de manifestante pró-impeachment, em agosto de 2016, em sua opinião, tinha algum viés machista?

Acho que tudo o que configurou o golpe foi machista, até a maneira como se referiam à presidenta Dilma era uma maneira muito misógina (de ódio e aversão à mulher). Tudo isso foi tirando qualquer questão legítima da pauta e foi entrando uma coisa que era embrutecedora. O que estava vindo era algo que fazia crítica de maneira estúpida, ignorante, sem escrúpulo, sem ética e muito destruidor. Quando penso em feminismo até acho que é um nome meio doido porque parece que pende para um lado da balança, mas na verdade ele equilibra a balança, que está pendendo demais para um lado só. Penso no feminismo como algo que não pertence apenas ao movimento de mulheres, pois é algo que liberta e melhora a situação de homens e mulheres.

Gostaria que falasse também sobre seus trabalhos na atualidade e o que está planejando para esse ano.

Estou fazendo um monólogo (no teatro) que é Ilíada, junto com outros 24 atores, cada um fazendo um monólogo. Com esse trabalho, onde compus a trilha sonora com o Fernando Alves Pinto, concorremos ao Prêmio Shell (2014). Agora também estamos fazendo a Caravana Tonteria (um show musical com intervenções teatrais) com algumas músicas próprias e algumas escolhidas. Esse ano estamos ainda com alguns projetos para continuar fazendo a peça A Vida em Vermelho de Edith Piaf e Bertolt Brecht (peça de Aimar Labaki que narra um encontro fictício entre a cantora e o dramaturgo). Vou fazer uma participação na minissérie Carcereiros, na Globo (baseada no livro homônimo do médico Drauzio Varella, sobre o sistema penitenciário). Recentemente também fiz o filme Happy Hour, do diretor Eduardo Albergaria, em uma coprodução Brasil-Argentina.

Por fim, queria que você deixasse uma mensagem para todas as pessoas que estão resistindo e lutando contra retrocessos.

Tenho recebido tanto afeto, tanto amor, tanta adesão e tenho visto tanta gente linda e corajosa lutando que confesso que tenho esperança. Muitas conquistas serão inevitáveis diante do que tenho visto de luta, nisso tenho muita esperança. Me compadeço de todas essas perdas que a gente está tendo. Vejo as dificuldades que estamos vivendo, isso fica claro nas falas lindas de muitas mulheres do movimento negro, indígena, lésbica, movimentos populares importantes. Me emociono com todas elas, com todas as causas das mulheres trabalhadoras. Nossa resposta a tudo isso é o afeto e a reorganização desse feminino que incomoda tanto.

Vai pra Miami, “coxinha” pró-Trump!

Blog do Altamiro Borges

Vai pra Miami, “coxinha” pró-Trump!

Por Altamiro Borges

Nas marchas golpistas pelo “Fora Dilma”, muitos “coxinhas” se fantasiaram de verde e amarelo – com as camisetas da ética CBF – fingindo um grande amor pelo Brasil. Este patriotismo, porém, era falso. Boa parte deles ama, de fato, os EUA – “a pátria da democracia”. Tanto que alguns até pediram – em inglês – uma nova intervenção do império contra a democracia brasileira – como ocorreu no golpe militar de 1964. No fundo, vários “coxinhas” sonham em viver em Miami. Na reta final das eleições ianques, alguns ainda mais tapados até fizeram um ato na Avenida Paulista em apoio a Donald Trump – num ataque misógino que comparou Hilary Clinton a Dilma Rousseff.

Mas na sua estupidez, típica dos “midiotas” adestrados pela imprensa com complexo de vira-latas, eles se deram mal. A vitória do fascistoide Donald Trump pode acabar com os seus sonhos. Dá até vontade de gritar “Vai pra Miami, coxinha otário, para ver o que é bom para tosse!”. Nesta semana, segundo a agência francesa de notícia AFP, a prefeitura daquela cidade, no Estado da Flórida, ordenou aos agentes públicos que ponham fim à reputação de “cidade-santuário” dos imigrantes. A ordem segue a determinação ditatorial do novo presidente ianque, que ameaçou cortar o repasse de recursos federais para as cidades que facilitarem o ingresso de estrangeiros.

A orientação serve principalmente às instituições penitenciárias de Miami. “De acordo com o porta-voz Michael Hernández, o prefeito republicano Carlos Giménez instruiu o Departamento Correcional ‘a honrar todas as solicitações de detenção de imigrantes recebidas pelo Departamento de Segurança Interna’. Giménez tenta, com isso, angariar a simpatia do presidente Trump, depois que ele determinou, na quarta-feira (25), o corte de verbas federais para as cerca de 300 ‘cidades-santuário’ do país que se negam a prender e a contribuir para a deportação de imigrantes em situação irregular”.

Ainda segundo a AFP, “as maiores ‘cidades-santuário’ (Nova York, Los Angeles e San Francisco) prometeram resistir e continuar protegendo os imigrantes, mas o prefeito de Miami rejeitou o rótulo imposto pelo Departamento de Justiça no ano passado. Miami foi incluída na lista porque a polícia se negava – até esta quinta-feira – a prender esses imigrantes, a menos que Washington pagasse os custos de sua detenção. A decisão de Giménez foi comemorada pelo novo presidente americano: ‘O prefeito de Miami abandonou a política dos santuários. Boa decisão. Forte!’, escreveu Donald Trump em uma rede social”.

Sandra Coutinho e a xenofobia

O aumento da xenofobia nos EUA destrói o sonho de muitos “coxinhas” e acaba de vez com o mito dos EUA como “a pátria da democracia”. Na chamada “Era Trump”, o preconceito, o racismo e o ódio estão em alta e atingem indiscriminadamente pessoas de diversas origens. Na semana retrasada, a jornalista Sandra Coutinho, da Globonews, deu um relato sobre a situação de pânico dos brasileiros que vivem naquele país. Ela contou, ao vivo no programa "Em Pauta", que seu filho, Gabriel, foi alvo de um ataque xenófobo em uma rua de Nova Iorque:

“Eu tenho de contar uma história pessoal, apesar de meu filho não querer que eu conte de jeito nenhum, que é a seguinte: anteontem, meu filho estava andando ouvindo música brasileira no fone de ouvido – está com mania de Seu Jorge, como eu – e uma pessoa parou ao lado dele e o olhou, incomodada. O sujeito simplesmente puxou o fone de ouvido dele, o empurrou e falou assim: ‘volta pro seu país, sua bicha’”. Ela terminou seu relato com a seguinte conclusão: “É a era Trump”.

Como lembra a própria revista Veja, em matéria postada em 14 de janeiro, “Sandra Coutinho foi promovida recentemente pela Globo. Sua promoção teria ocorrido após a sua participação numa entrevista coletiva de Barack Obama e Dilma Rousseff, em Nova York. A pergunta da jornalista foi: ‘O Brasil se vê como um ator global e liderança no cenário mundial, mas os EUA nos veem como uma potência regional. Como você concilia essas duas visões?’. Desde então, Coutinho tem aparecido com reportagens da cidade americana no Jornal Nacional, principal telejornal da emissora”.


A Veja só esqueceu de registrar que, na ocasião, Barack Obama retrucou a serviçal da Globo, que agora é vítima de um caso familiar de xenofobia.
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